Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

Livros usados

Ontem entrei num sebo procurando um livro.
O balconista era lindo e sorriu simpático e inexplicavelmente aquele amontoado de poeira e páginas amassadas ficou tão interessante.
Mas aí imaginei que talvez, com um olhar mais atencioso, eu pudesse encontrar na parte de dentro de um dos braços dele uma inscrição do tipo Mariana R. Cruz, Verão/2002.
E inexplicavelmente a estória perdeu toda a graça.

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

Sobre o fim do ano

Eu levei bronca por ficar pedindo pro ano acabar.
Afinal, como eu posso ficar pedindo que esses últimos dias passem logo se eu ainda não sei o que vai acontecer nesses dias? Eu posso ficar rica, achar o amor da minha vida, conseguir o emprego dos meus sonhos, tudo tudo pode acontecer (sei...)
E é claro que esse pensamento faz muito sentido. Mas é, que realmente, esse ano já deu.
Eu não tenho mais paciência pra fazer nada. Tô empurrando tudo com a barriga e já joguei metade das minhas tarefas pro ano que vem. Só o que ainda me instiga são as compras. E a viagem de Ano Novo. E as compras pra viagem de Ano Novo. Enfim...
Geralmente, quando chega essa época do ano, a gente começa a fazer o tal do balanço anual. Eu tenho feito isso, e percebo que o ano - apesar de dificílimo e triste e cansativo até não poder mais - foi bom. Porque trouxe muito aprendizado e eu estou certamente saindo dele mais forte.
Mas deixando de lado tudo isso - Acaba, 2009!
Pelamordedeus!
Quero muito terminar tudo que tenho pra fazer essa semana e a partir do dia 20 me isolar em Salto, meus discos e livros e nada mais...
Quero muito a coleção do Snoopy capa dura que eu vi na Cultura.
Quero muito o sapato azul da Side Walk.
Quero muito uma Melissa nova.
Quero muito a bata de bola com tecido ruim da feirinha da Bristol (será que eu acho uma versão com tecido bom?)
Quero muito a caneca de vaca do Bardo Batata.
Quero muito uma calça jeans nova.
Quero muito uma bermuda jeans nova.
Quero muito o box com todas as temporadas do Friends.
Quero muito uma flor nova de usar no cabelo.
Quero muito um biquíni bonito pra ir pra Floripa.
Quero muito um All Star de couro.
Quero muito umas regatinhas novas coloridas.
Esse post era sobre o fim do ano ou sobre compras???
Acaba, 2009!!!!!

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Agora...

Ter 30 anos e agir feito uma criança de 05, eu acho bastante complicado.

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

É isso, mais ou menos...

"Minha cabeça não para. Sempre lista de tudo, para eu poder saber, nos mínimos detalhes, todas as coisas chatas que não vou fazer. Junto tudo, boto números, pra saber do que abro mão e chuto longe e deixo voar. As coisas mas eu fico. E daí já estou presa a outras coisas todas que preciso organizar pra não fazer. Eu organizo minha impossibilidade o tempo todo. Pra saber que deixei de e não fui deixada de. De de quê? Pra ter controle do que não consigo. Eu listo minha preguiça. Eu sei de cor a chatice de tudo que tô desdenhando. E sofro porque sou a certinha da anarquia. Sempre com o cansaço de defender o lugar do meio, com tanta porrada vindo dos dois lados. O morno de ser. O quase de tentar. A corda bamba de se manter. Nem lá nem lá. Cá mesmo. Meu dente aperta demais os de cima com os de baixo. E não é charminho de gente que escreve ou sei lá que coisa. O fato é que agora que perdeu a graça sofrer pra fazer graça, sobrou só essa verdade que nem merece destaque, que nem me assusta mais, de que eu sofro mesmo. Eu sofro muito mais do que consigo sofrer. Então, será, alguém pra valer a pena colocar flores em cima da mesa?
(...)
As pessoas rompidas pelos amores que não puderam suportar, se juntam e seguem. Anos. Casamentos. Mãos fechadas, quentinhas. Isso não é pra mim, ainda que o oposto também não seja. Daqui a pouco, eu sozinha, cacos de vidro. Nem cachoeira e nem piscina. Eu seca. Porque só sei viver esperando ser molhada e não molhada. Molhada me resfrio, gripo, tenho medo de acabar. Seca é a espera e é como posso. "

Não é meu, é da Tati Bernardi, uma mina que tá linkada aí do lado e que escreve umas coisas que tem tão a ver comigo que eu às vezes penso que fui eu que escrevi e não me lembro...

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

When's it my turn?



MINHA VIDA, ISSO AÍ.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

IT WAS DEATH


" What does it mean to regret when you have no choice? It´s what you can bear. There it is. No-one´s going to forgive me. It was death.
I CHOSE LIFE. "


E eu acho que vou ficar sem escrever neste blog por um (pouco mais de) tempo. Porque parece que toda e qualquer coisa que eu escrever pode e vai ser usada contra mim.

Domingo, Outubro 18, 2009

Clássicos serão sempre clássicos

Vocês cresce e seus horizontes se ampliam.
Você descobre novas formas de ver o mundo.
Novas paisagens.
Novas pessoas.
Novos sabores.
Novos conceitos.

Mas o Piraquê Presuntinho sempre será o Piraquê Presuntinho.

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Christine Angot, Escritora

(um texto da exposição da Sophie Calle, como eu tinha prometido)

Então, alguns meses depois, reli a carta de X. Foram meses nos quais eu mudei. Durante os quais compreendi muitas coisas. E tudo o que eu havia escrito me soou absurdo.
Burro, cego e até perigoso, estava totalmente desprovida de lucidez. Eu sequer tinha lido corretamente a palavra "angústia" na carta de X., e na frase " Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente", ele estava tentando recuperar sua virilidade, e eu não tinha percebido isso na minha primeira leitura. Se Sophie o tivesse amado tanto quanto diz, ela não teria convocado um esquadrão de mulheres para ajudá-la a superar. Ela teria tentado superar isso, é o que se deve fazer, mas não assim, cercada por mulheres.
Um grande esquadrão de mulheres, é isso o que somos, com nossos textos patéticos ou nossas interpretações, nossas performances, sentindo pena de nós mesmas ante o homem; o melhor é ir atrás dele e fazê-lo sentir-se insignificante.
Eu deveria ter dito isso a Sophie, e estou dizendo agora: cuidado com todas essas mulheres reunidas. Evite-as. A maioria delas quer transformar os homens em mulheres, elas dedicam suas vidas a isso, o fato de serem mulheres as enlouquece, elas não podem aceitar. Elas não vão ajudá-la a se tornar uma mulher, uma mulher de verdade, ou seja, alguém que não tem nada, não tem mais palavras, não tem mais nada, nada de poder, poder sobre coisa alguma, uma mulher de verdade: boa e impotente. Elas não vão ajudar você, isso as deixa com raiva, o vazio, a falta. Elas não vão ajudá-la e continuarão dizendo "proteja-se", quando não há nada do que se proteger.
Você não tem nada. Você tem um vazio, você tem uma ausência, é só isso. Você é uma artista e isso não lhe dá poder, mas graça, sim, toda vez que vejo o seu trabalho, eu fico, não sei como dizer isso... fico emocionada e cheia de admiração. Mas mulheres reunidas, tudo o que elas querem é que os homens desapareçam, virem fantasmas distantes. Ou que sejam escravizados, estejam à disposição, sejam sempre acessíveis e vivam de acordo com os seus discursos, que eles supostamente entendem perfeitamente. Elas não querem "largar mão", elas pensam que eles são como crianças, elas adoram falar sobre a "fragilidade do homem" - tão tocante, elas dizem - ou sobre eles "fugindo". O coro que você reuniu em torno dessa carta é o coro da morte.

A MORTE

Esse arcano não representa a morte, mas sim a superação e a transformação para algo novo. Nós temos que derrubar algo de nossas vidas para dar espaço ao novo, assim como fazem as árvores no outono.

A morte é o símbolo de toda transformação imediata e radical e não significa a morte física, no plano mental, anuncia o caráter renovador que transforma tudo por meio do renascimento, ela indica ao consulente que será obrigado a reorganizar seu modo de pensar, pois novos fatores ou novas circunstâncias intervirão em sua vida; no campo afetivo, ela indica a destruição de um amor ou uma afeição, o fim definitivo de uma ilusão, ou a radical ruptura de uma relação amorosa; no plano físico, pode anunciar mudança de casa, de cidade, de país, ou mesmo de estado civil.

É também o fim necessário de um ciclo, ou a certeza de que algo está para terminar, é chegada a hora de uma transformação de fato, no sentido de uma regeneração espiritual, após o reconhecimento da futilidade da realidade, é a "morte" material.

Representa uma mudança de regência de santo temporária, onde o consulente vai aprender alguma coisa em especial em sua vida.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Entrevista com Fernanda Montenegro


"Não existe ambição em mim. Quando se é jovem, é preciso tentar, mas eu tive uma vida muito realizada e muito intensa aqui", explicou.

Mesmo perto dos 80 anos, aposentadoria é uma palavra que não faz parte do vocabulário de Fernanda, que já tem uma cansativa agenda de trabalho até 2011.

Antes de se despedir, Fernanda Montenegro dá um conselho às novas gerações de atores e atrizes: "Desistam".

"Se não se tem a coragem suficiente para enfrentar esta profissão, que é complicada, é melhor desistir", afirmou, com a serenidade e a firmeza que só se obtêm depois de uma carreira de mais de 50 anos dedicada à interpretação como uma paixão e não só como um trabalho.

(...)

Tô passando no RH, então.

Texto integral saiu na Folha, tá?