domingo, junho 20, 2010

O que eu precisava mesmo era de um brilho no olho.
Algum tão forte quanto o meu.
Me falta alguém pra somar, dividir, multiplicar.
Não vejo mais graça em gente que não vê graça na vida.
Nem em gente que vê graça demais, onde não existe.
Todo o tempo que passei bancando a Frustradinha da Estrela, já não interessa.
Que eu já sei como é - já sei bem - acreditar que se tem um Pra Sempre quando na verdade sempre se teve um Nunca. E continuar acreditando no que não existe, sinceramente, já não interessa.
Muitas coisas já não interessam. Tem as que não entendo, as que ainda não conheço, mas mais do que tudo tem as que não interessam.
E bate a sensação de vazio, típico de gente que dá tudo de si o tempo todo, mais do que deveria, acredita demais, imagina demais, inspira demais, sonha demais. E que cansa das desculpas alheias. Dessas mentiras que você conta pra si mesmo pra fingir que ainda acredita em uma felicidade qualquer que não seja a alheia. Você inventa um mundo pra fingir que ainda é quem você um dia foi. Mas não é mais.
Eu também invento um mundo pra mim. E nesse mundo cabe cada vez menos gente. Já não tem espaço nem pra mim. Mas se eu tento fugir, soa o alarme e alguém sempre me traz de volta.
Pro mundo real.
Onde eu não vejo mais graça.
Qual a graça de um mundo em que ninguém mais se permite sonhar?

segunda-feira, junho 14, 2010

sei lá, mil coisas

Tem a coisa de abrir mão do que não apaixona.
Tem a coisa no filme da Bridget Jones que eu revi ontem - parenteses - o MGM ontem tirou o dia pra exibir comédia romântica, a maioria tinha o Hugh Grant, e ele é realmente muito bom nisso - fecha parenteses - que ela vira pro Hugh Grant e diz: desculpe, mas é que eu ainda estou esperando por algo mais fantástico do que isto.
Tem a coisa de separar o bom e o ruim - as coisas que são pra você e as coisas que não são pra você, simples assim.
Tem uns brinquinhos lindos de pérolas coloridas que eu comprei na 25 de março quinta passada, menina, uma loucura.
Tem a coisa de perceber o que é que te faz levantar toda manhã.
Tem a coisa horrorosa da buzina da Copa do Mundo.
Tem a coisa de criança precisar de limite, mesmo as de 30 anos.
Tem a coisa do cachorro que apareceu morto no quintal da vizinha e o menino resolveu descobrir quem matou o cachorro.
Tem a coisa de quais coisas mais importantes você carrega pela vida.
Tem a coisa de amar mais do que deveria, e o grupo que eu tenho frequentado menos do que deveria.
Tem a coisa de pensar quem vai contar as estórias fantásticas no dia em que minha avó morrer.
Tem a coisa da carência e do excesso de açúcar na mente das pessoas e tem cinco barras de Lindt no armário do meu quarto.
Tem a coisa da casa em que eu nasci estar pra vender e um sonho de um apartamento mobiliado perto da Avenida Paulista.
Tem a coisa das ruguinhas começando a querer aparecer em volta dos olhos.
Tem a coisa do princípio de bronquite bem bizarro e preocupante.
Tem a coisa do cara esquisito querendo ser meu amigo no Facebook. De onde essas pessoas surgem?
Tem um mousse de sonho de valsa na padaria da Camilo com a Aúrélia que é uma coisa.
Tem umas lembranças aí.
Tem um perfume de cereja delicioso.
Tem um sorriso lindo, esse menino.
Teria um excesso de caracteres, se isso aqui fosse o twitter.

sábado, junho 05, 2010

Silêncio

...

...

...

...

... o silêncio é o som da espera.

quinta-feira, maio 27, 2010

CONTEMPORÂNEO DE QUEM?

Eu vi no blog da Rafa e é uma citação de um blog de um outro cara - que eu não conheço.
Selecionei um trecho, tem umas partes que eu nem concordo e o texto já é tipo gigantesco...
Bora lá.

Agora meu, o que eu tô angustiado é o seguinte...
CARAAAALHOOOOO, que vergonha de fazer parte desse mundo, meu!!!
A gente cada vez mais a gente empurra as pessoas comuns para longe da arte sabe?!

Pra ir na expo, você precisa saber da vida inteira do cara, tem que aceitar toda aquela MERDA (porque é MERDA mesmo, gente, vamo para de tentar SALVAR esses caras porque não dá, não...).
Vc vai ver um espetaculo de dança...e cadê a dança??
Num tem, porra! Cheguei a ponto de "ver" uma dança onde o cara apagava de verdade a luz e os bailarinos dançavam…e ninguém via...era só a respiração, a "energia".

VAI TOMÁ NO CU, ARTE CONTEMPORÂNEA!!!!

Meu...vc vai escutar música contemporânea...ou é literalmente MUDO ou é um barulho de motor, sabe??? Barulho de serrote cortando banana...barulho de chuva...
VAI TOMÁ NO OLHO DO TEU CU CONTEMPORANEO!!!!

Vai ver teatro contemporâneo????
Ah, fala sério, meu!! Beleza, vamo ser flexíveis, mas meuu deeeeuss! Enfiaram tudo no CU, todo conceito de prazer, de catharsis, de esclarecimento, de purgação, de alegria, de VIDA mesmo!!!! Porra, meu!!! A gente só vê merda, só vê ensebação, PUNHETA MESMO. É um prazer que só rola pra quem faz. E o publico?! Ah, manda ele tomar no cu se ele não entendeu nada...não é pra entender...‘é pra sentir’.
VAI SENTIR TEU CU, FILHA DA PUTA DE ARTE CONTEMPORÂNEA!!!

Fala que hoje não existe mais o signo, que o símbolo foi ultrapassado, e fica o quê no lugar??? A BUCETA DA TUA VIDINHA DE MERDA??? O TEU "SENTIR" NOJENTO??? AS "CORES E AS FORMAS" DA PICA DO DIRETOR??

Tudo isso me lembra muito o Vitor: Teatro contemporâneo de quem? Meu, não é!
Engraçado...


segunda-feira, maio 17, 2010

Tenho alta tendência a ficar obcecada com as coisas, percebo agora.
Não que isso seja uma coisa ruim - quer dizer, até pode ser, sei lá. Mas é que quando eu estou criando alguma coisa, eu preciso viver aquilo muito intensamente até aquilo criar vida própria.
Estou falando de me sentir em uma fase criativa ótima. Textos inteiros surgem na minha cabeça quando estou no ônibus, quando estou dirigindo, quando estou no banho, quando estou comendo, quando estou no cinema. Cenas inteiras. Projetos inteiros. Ideias inteiras. Estou inteira. E adorando as novas descobertas, as novas pessoas, as novas possibilidades. E principalmente descobrindo que o caminho é longo mas é prazeroso.
E que o importante é o caminho. Que não é chegar em algum lugar, mas é o próprio ir até o lugar.
Que o tal teatro não é uma prova de força, é uma prova de resistência. E a habilidade não tem muito a ver com isso, no fim das contas. É mais uma questão de ver quem aguenta até o final - que final?
Talvez seja isso, então, uma grande maratona em que sentir o vento na cara é mais importante que a linha de chegada.
OK, ninguém disse nada sobre os textos inteiros e prontos serem ou não piegas.
Aqui percebemos que sim, eram.
Mas dane-se, só escrevei isso pra justificar que se não escrevo aqui é porque estou ocupada demais escrevendo em outros lugares.

domingo, maio 02, 2010

About a girl


Acabei de ler o livro (em inglês e em versão pocket, obviously, minha nova obsessão) e adorei.
Já gostava do filme, e foi realmente impossível não imaginar o Will com a cara do Hugh Grant.
A história que o livro conta é muito mais profunda, e as resoluções para os personagens são mesmo mais acertadas, mas confesso que eu realmente senti falta do menino pagando o maior mico da vida e arruinando sua vida social cantando Killing me Softly no festival da escola.
Sabe, vocês não tem ideia de quanto esse menino sou eu.
Olha, vocês não tem ideia mesmo.

P.S. Nunca tinha me ligado que o Nick Hornby provavelmente fez uma referência ao Nirvana no título desse livro, porque no filme acho que o Kurt Cobain sequer é citado, ou seja, a adaptação pro filme foi BEM ruinzinha, se formos pensar. Mas eu adoro, anyway.

P.S. 2: Tentei publicar o vídeo aqui, mas não dá mais pra faezr isso. Fica o link:
http://www.youtube.com/watch?v=hKnUCxJvS7s&feature=related

quinta-feira, abril 29, 2010

Certas coisas da vida fazem a gente perceber que aquela história de "tudo tem seu tempo" não é apenas mais um clichê.

sexta-feira, abril 16, 2010

Pequenos diálogos entre mãe e filha

- Minha filha, Godot não vem!!! Sai debaixo dessa árvore e vai pra cama JÁ!
- Ah, mãe, só mais cinco minutos, vai? Por favoooor.


- Larga esse livro, minha filha. Vai pra rua, andar de skate, aprender um pouco de hip hop...
- Quero fazer faculdade pra virar artista, mãe.
- Bom, depois quando não conseguir emprego nenhum como oficineira, não diga que eu não avisei...


- Laura, vai pra sua aula de datilografia AGORA!
- Eu não posso, eu vomitei.
- Toma um DRAMIM e não me enche o saco! E ensina pro teu irmão o que é Torrent, pelamordedeus!


- O Jasão não servia pra você, mãe. Você sabe, homem é tudo palhaço!
- Cala tua boca, menina! Te afogo!


- Mãe, como era mesmo o nome do papai?
- Luis Carlos Prestes, filha. Luis Carlos Prestes.

terça-feira, abril 13, 2010

Só por hoje

Eu pensei bem e resolvi que como um ser humano consciente, cristão, que não faz mal a quase ninguém e tenta pagar quase todas as suas contas em dia, tenho direito a um dia de tristeza profunda por mês. Um dia só, porra. Até quem segue dieta de pontos se permite uma mousse de chocolate, até as modelos magérrimas comem um pastel de queijo, embora vomitem tudo isso depois - e cá entre nós isso é exatamente o que eu pretendo fazer.
Vomitar faz bem, porque não?
Esse sempre foi um blog confessional e de repente, de uma hora pra outra, me deu vontade de transformá-lo num blog de ficção. Diz minha psicóloga que eu deveria escrever ficção, que seria uma boa maneira de encontrar uma finalidade útil pra tanta divagação e tanto pé no mundo da fantasia - porque me veio à cabeça a imagem de uma centopéia nesse momento?
Eu já percebi que tudo o que me resta é uma mente criativa, e como não tenho outra escolha tenho dedicado minhas horas a perceber o que é que dá pra fazer com ela. Então, é isso, fazer ficção de si mesmo. Escrever historinha e fingir que nada disso tá acontecendo com você. Bom, melhor do que escrever historinha pra fingir que TÁ, não é?
Aí penso que quero ir embora, fugir, que quero sumir do mundo e voltar só no dia em que eu já tiver encontrado um jeito de ser feliz, e depois penso que mundo é esse do qual eu tô tentando ir embora, se eu não vivo no mundo há tanto tempo - que porra é ir embora do mundo na minha concepção, é ir ainda mais pra dentro de si?
Falando em concepção, preciso mudar de pílula. A minha já não tá segurando a TPM.
Ah, tá. Um dia de tristeza profunda por mês. Explicado.

segunda-feira, abril 12, 2010

Eu vi

Cinema

e achei lindo pra caralho.
Claro que tem umas "gorduras", como bem disse Carol Pinzan ao fim da peça, mas a ditadura da magreza nem sempre é a melhor solução, tá, e os dois terços finais são de uma beleza TÃO impressionante que eu saí do teatro quase convencida que o Felipe Hirsch já pode morrer que ele já fez a parte dele por aqui.

In on It

cujo índice de gordura corporal é zero. Texto bom, atores bons, direção boa e todo o resto que faz valer super a pena mesmo o Teatro FAAP continuando caro e desconfortável. O Enrique Diaz, pra mim, tá morto, já.

Veria qualquer uma das duas de novo.
Tô dando sorte com a programação teatral da cidade ou meu senso crítico tá meio esquisito?