sexta-feira, janeiro 27, 2012
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos
terça-feira, janeiro 17, 2012
Férias
Em clima de total preguiça. Acordo tarde, faço hora na internet, olha a chuva da tarde pela janela, vou à academia, leio alguma coisa, como, e a vida não é muito mais que isso.
A vida está maravilhosa demais para gerar qualquer tipo de crise séria - tô quase pensando em virar dona-de-casa.
Acho que não é uma boa época pra se escrever um post.
sábado, dezembro 31, 2011
Pouco menos de um ano de sobrevida pra humanidade, chove nas ladeiras de paralelepípedos escorregadios de Ouro Preto e você dorme aqui do lado enquanto eu me rendo ao clichê de falar que a chuva de algum modo limpa o ano que passou pra começar um novo ano - como há trezentos anos alguma moça branca do alto do imenso casarão de seu marido ou uma moça negra trancada em um porão escuro também olhavam a última chuva do ano - claro, já chovia no ano novo, como ainda chove e choverá sempre - e pensavam que no ano seguinte tudo mudaria, mesmo que todos saibamos que as coisas não mudam, pra nenhuma da três.
Ouro Preto é uma maquete dentro da qual a gente anda, um grande álbum de fotografias em 3D, eu aqui, por entre as páginas, folheando as lembranças dos outros e amarelando junto, lamentando as Polaroids que o tempo conseguiu apagar. O passado então só existe se você ainda pode olhar pra ele, se está ao alcance da mão, ou aos poucos vai sendo esquecido?
A casa onde cresci foi vendida. Minha mãe me deu a notícia na véspera de Natal, num misto de sorriso e cara de choro - era ela quem não sabia o que sentir ou era eu? Em quarenta e cinco dias corridos, a casa deixa oficialmente de ser a nossa casa, ou a casa velha, ou a casa da Herculano, e eu não posso ir de vez em quando ter certeza que a felicidade que vivi ali de fato existiu. Meu álbum de fotos de uma vida inteira queimado em um incêndio, levado numa enchente, destruído num bombardeio inimigo - eu só precisava dele na minha gaveta, não olharia todo dia, mas ele estaria lá, por mim. Tenho medo de esquecer quem sou, por um motivo qualquer, me tornar alguém pior e não haver mais museu de mim mesma a ser revisitado. Eu não me importaria por pagar 6 reais de entrada para a manutenção do acervo - pago bem mais que isso pra minha analista semanalmente há mais de três anos pelo mesmo motivo - só para que o canto do jardim onde eu me agarrava com meu primeiro namorado não fosse esquecido, ou o local exato onde ficava a tabela de basquete onde eu praticava quando isso ainda era minimamente importante, ou o desenho das grades das janelas atrás da fresta da cortina por onde eu olhava para ver quem estava tocando a campainha quando ficava sozinha em casa. Eram redondas as pontas das grades? Ou tinham lanças? Tenho mais quarenta e cinco dias pra lembrar. Não serão o bastante?
Tenho amigos com quem não tenho nada em comum - a não ser o passado. Mas não ousamos assumir nossa separação pois há fotos no páteo do colégio ou na praia no verão de 87 ou daquela sua franja horrorosa aos quatorze anos ou sabe Deus o quê. Então, nos encontramos de tempos em tempos num acordo secreto de "você alimenta meu passado, eu alimento o seu, e seguimos nossas vidas separadas como se de fato soubéssemos do outro mais que o páteo do colégio, o verão de 87 e aquela franja horrorosa". Talvez seja o suficiente. Talvez ninguém queira pagar o preço de assumir que o passado já passou e pronto, não existe mais. Como a esposa infeliz que não ousa se separar porque não pode jogar fora anos de vida comum. Como quem não muda de emprego porque já perdeu tantos anos investindo nele. Como quem podia ser feliz hoje, mas prefere ficar se prendendo aos traumas antigos. Como eu, que já fiz e ainda faço tudo isso.
Tem esse lugar comum de que o último post do ano tem que ser retrospectiva misturada com promessa de ano novo e desejos de paz-saúde-prosperidade e beijo-pra-minha-mãe-pro-meu-pai-pra-você. E pra que fugir do lugar comum? Vamos lá: 2011 foi um ano de deixar um pouco do passado pra trás. Ou aprender a olhar pra ele como passado. Como peças de uma exposição. Pra pensar Meu-Deus-como-eu-conseguia-seguir-vivendo-nesse-lugar-com-essas-pessoas-como-eu-sobrevivi? Mas eu estou aqui, inteira ou quase inteira, escrevendo sobre o que está do lado de fora dessa janela enquanto você dorme aqui do lado e nem imagina que eu vou ser capaz de terminar esse post dizendo que nem eu nem você sabemos o que está por vir e é daí que vem a beleza da vida, e talvez isso também passe pela cabeça da moça branca trancada num porão escuro ou da moça negra solteira do alto da janela de seu casarão que daqui a trezentos anos continuarão a pensar que as coisas nunca vão mudar.
terça-feira, dezembro 20, 2011
Peças do ano
Porque entra ano e sai ano, mas eu não perco a cafonice. #retrospectivasforever
Peças de 2011:
- Resta Pouco a Dizer
- A Meia-Noite um Solo de Sax na Minha Cabeça
- Prometheus Nostos
- O Idiota
- Mary Stuart (Denise Stoklos)
- Ten Chi (Pina Bausch Tanztheater Wuppertal)
- Natura Sonoris (Open Lab Company)
- Savana Glacial
- Medusa
- La Omision de La Familia Coleman
- Logun-Edé - Uma Pequena Yorubópera para Crianças
- Mantenha Fora do Alcance de Crianças
- Trilhas Sonoras de Amor Perdidas
- O Jardim
- O Bloco do Eu Sozinho
- Insônias de Antônio
- Luis Antônio - Gabriela
- Sonho de um Homem Ridículo
- Hospital da Gente
- A Brava
- Gota D´água
- Cachorro!
- Rebu
- Alice no País das Maravilhas (Le Plat du Jour)
- Uma Flauta Mágica (Peter Brook)
- Realismo
- O Maravilhoso Mundo de Dissocia
- Prometheus - A Tragédia do Fogo
- Disney Killer
- Os Náufragos da Louca Esperança
- Ar Vazio
- O Silêncio Depois da Chuva
- As Desgraçadas
- Os Altruístas
Num total de 34 peças. O que é um bom número perto das 28 de 2010 ou das 21 do depressivo ano de 2009, mas é uma vergonha perto das 39 de 2008 e das espantosas 42 de 2007. Levando em conta que minha meta no começo do ano (puta coisa de nerd!) era de uma peça por semana (e um ano são 52 semanas), estamos bem longe. Tenho aquelas de ler um livro por mês, também, mas eu sinceramente nunca sei se dou conta da meta ou não.
Voltando às 34 peças, fico aqui pensando que deve ter muita gente por aí que não viu isso de peça na vida toda. Não, não tô falando das populações ribeirinhas do Norte da Paraíba nem das comunidades em situação de risco da periferia de Manaus nem das adolescentes prostitutas criminalizadas tatuadas viciadas em heroína da região mineradora das proximidades de Goiânia. Estou falando de gente do meu convívio, mais ou menos da minha idade, mais ou menos com o meu poder aquisitivo. E olha... se bobear, tô falando de gente que também faz teatro... ou diz que faz...
#joguei
Peças de 2011:
- Resta Pouco a Dizer
- A Meia-Noite um Solo de Sax na Minha Cabeça
- Prometheus Nostos
- O Idiota
- Mary Stuart (Denise Stoklos)
- Ten Chi (Pina Bausch Tanztheater Wuppertal)
- Natura Sonoris (Open Lab Company)
- Savana Glacial
- Medusa
- La Omision de La Familia Coleman
- Logun-Edé - Uma Pequena Yorubópera para Crianças
- Mantenha Fora do Alcance de Crianças
- Trilhas Sonoras de Amor Perdidas
- O Jardim
- O Bloco do Eu Sozinho
- Insônias de Antônio
- Luis Antônio - Gabriela
- Sonho de um Homem Ridículo
- Hospital da Gente
- A Brava
- Gota D´água
- Cachorro!
- Rebu
- Alice no País das Maravilhas (Le Plat du Jour)
- Uma Flauta Mágica (Peter Brook)
- Realismo
- O Maravilhoso Mundo de Dissocia
- Prometheus - A Tragédia do Fogo
- Disney Killer
- Os Náufragos da Louca Esperança
- Ar Vazio
- O Silêncio Depois da Chuva
- As Desgraçadas
- Os Altruístas
Num total de 34 peças. O que é um bom número perto das 28 de 2010 ou das 21 do depressivo ano de 2009, mas é uma vergonha perto das 39 de 2008 e das espantosas 42 de 2007. Levando em conta que minha meta no começo do ano (puta coisa de nerd!) era de uma peça por semana (e um ano são 52 semanas), estamos bem longe. Tenho aquelas de ler um livro por mês, também, mas eu sinceramente nunca sei se dou conta da meta ou não.
Voltando às 34 peças, fico aqui pensando que deve ter muita gente por aí que não viu isso de peça na vida toda. Não, não tô falando das populações ribeirinhas do Norte da Paraíba nem das comunidades em situação de risco da periferia de Manaus nem das adolescentes prostitutas criminalizadas tatuadas viciadas em heroína da região mineradora das proximidades de Goiânia. Estou falando de gente do meu convívio, mais ou menos da minha idade, mais ou menos com o meu poder aquisitivo. E olha... se bobear, tô falando de gente que também faz teatro... ou diz que faz...
#joguei
terça-feira, dezembro 13, 2011
quinta-feira, dezembro 08, 2011
HQ
Não tenho o menor talento pra desenhista, mas se tivesse faria uma tirinha assim:
Primeiro quadrinho: Fernanda chorando.
Segundo quadrinho: Fernanda chorando, uma mão na cabeça da Fernanda, um balão dizendo "tudo bem, não foi culpa sua, você sabe".
Terceiro quadrinho: Deus sambando.
Não precisava, Deus. Dessa vez foi cruel pra caralho, e realmente: N-Ã-O-P-R-E-C-I-S-A-V-A.
terça-feira, dezembro 06, 2011
Coisas que não entendo
- A Selvinha de Natal do Bradesco na decoração de Natal desse ano;
- Os prédios da Paulista na competição de quem é mais cafona, e o povo desacelerando pra tirar foto mesmo assim;
- A Suzana Vieira ter menos rugas hoje do que tinha em Mulheres de Areia (1993);
- Uma pessoa tão acostumada ao fracasso que, quando ganha algo, ao invés de comemorar, entra em pânico.
A pessoa acima, no caso, sou eu.
(este post pode e será atualizado)
quarta-feira, novembro 30, 2011
#areiamovediçafeelings
Pra que se debater?
Afinal, que infelicidade é essa da qual eu tento tanto fugir o tempo todo? Essa que faz atirar para todo lado, essa que faz agarrar a qualquer coisa flutuante antes que o barco termine de afundar, essa coisa de anywherebuthere anylifebutmine anyjobbutthisone?
Que infelicidade tamanha é essa, meu Deus, a que eu acho que eu sinto?
Não valia mais a pena me acostumar com ela, abrir portas e janelas, convidá-la pra um chá, pra deitar no sofá, abrir a geladeira, acabar com a caixa de bombons que tem na prateleira da cozinha. Até que eu me acostume tanto que pare de doer.
Ridículo. Ridículo que as coisas até quando dão certo ainda cismem em dar errado.
Ridículas as escolhas que tenho feito.
... escolhas? Quem escolhe deixa o resto de lado, e eu só tenho tentado fazer tudo ao mesmo tempo, e pelo jeito tudo menos justamente aquilo que eu deveria fazer.
Bom, que diferença faz, quem sabe, quem vê? Quem vê a menina invisível? Quem enxerga o meio termo, meio do caminho, o mais ou menos, em cima do muro?
A vida segue, eterno descobrir do que não queremos mais, do que não aguentamos mais, de quem não gostamos mais, e o que é que a gente quer, então, poham?
Escrevendo antes de dormir pra ver se o cansaço ajuda a ser um pouco mais sincera. E sem nenhum senso crítico, publico o texto mesmo assim. Um texto invisível. Como eu. Ou como essa infelicidade que tá sempre por aqui mas ninguém vê. Mas tá. E dói. Aqui, ó.
quinta-feira, novembro 03, 2011
Demodé
As coisas saem de moda.
Primeiro era LP, depois fita cassete, depois CD, depois mp3 e pronto. Quando aparece algo que satisfaz melhor nossas necessidades, abandonamos nossos prediletos sem dó nem piedade.
E a verdade é que o blog também saiu de moda.
Escrevo muito pouco por aqui, mas entro todo dia, e saio clicando em todos os blogs que estão listados aí do lado e nenhum, NENHUM está em dia com a história das atualizações. Alguns estão sem atualizar desde o começo de outubro, outros desde setembro, junho, maio até... não era pra ser um diário virtual?
O Facebook superou os blogs. Toda essa farsa que queríamos manter, esse papinho de que escrevíamos no blog porque gostávamos de escrever, porque queríamos nos entender, porque queríamos discutir sobre música, literatura, design, piscologia, porque o blog era uma nova forma de publicar nossos contos e crônicas, de divulgar trabalho, blablabla, tudo mentira.
A gente queria mesmo era confete.
No Facebook você posta qualquer merda e pronto, todo mundo like, comment, share e o caralho. É fácil ter audiência. Pra que vamos perder nosso tempo pensando em um post realmente legal pra colocar no blog?
Os dias vão passando e esse espaço continua vazio.
Fomos desmascarados!
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