Tá, tudo bem, certo, ainda estamos em setembro.
(Há controvérsias. A passagem do tempo pode ser algo bem subjetivo, especialmente em situações de aprisionamento - e coloque-se neste item os pensamentos obsessivos, os regimes não democráticos, os castigos que a gente se impõe - e em situações de ansiedade - no caso de pessoas como eu, todas as demais. Não é de se espantar que exista um fuso horário imaginário - e que nesse momento eu esteja aqui, em São Paulo, escrevendo, enquanto você deve estar em Paris, Londres, Budapeste, Viena, uma dessas cidades aí em que sofrer é artigo de luxo, servida a altos preços nos mais finos restaurantes - divagação das divagações - eu me sento na mesa, frente a você, luz de velas, você pede pra ver o cardápio, reclama de tudo - eu peço logo pra ver a 'carta de sofrimentos' - quero algo tinto, seco, marcante, dizem que a safra de 83 é ótima!)
Ainda, setembro de 2010, pelo menos levando em conta o calendário cristão (e não que você seja muito afeiçoado a qualquer coisa que leve cristão no nome ou a qualquer tipo de regra moral) mas se eu fizesse uma coletânea, THE BEST OF Amores do Ano, não ia ter uma só música que prestasse. Passearíamos por um amontoado de canções esquisitas, algumas com refrão grudento, outras sem refrão algum (e o que será pior?), experimentações musicais sem sentido, todas meio desafinadas, melodias esquisitas, sem poesia nenhuma. Olha, com um pouco menos de sorte, até versões brasileiras malfeitas de clássicos da música brega norte-americana.
Mas, tá, tudo bem, certo, minha vida nunca teve mesmo muita cara de lista da Billboard. É mais curioso e mais sutil, porém, que eu me sinta mais feliz do que no tempo em que minha coletânea do ano era um Single. Que todos os analistas do mundo, todos os fóruns da SongMeanings.net, todas as entrevistas com o próprio autor não seriam capazes de explicar. Talvez tenha sido mesmo questão de inspiração, atordoamento. Eu berrava com toda a força dos meus pulmões o que hoje vejo que nunca passaria de um sucesso estrondoso de uma boy band de um sucesso só. Que gosto musical adolescente sempre foi e sempre será péssimo.
E eu sempre serei uma pessoa 78 rotações nesse mundinho iPod de meu Deus...